Entretanto, como, na visão de La Boétie, o costume e a tradição são fatores que fundamentam a servidão voluntária, podemos concluir que uma das causas evidentes da voluntariedade da servidão é a sujeição em troca da proteção e de um sistema político que atenda ás vontades coletivas (no caso de hoje, mas antigamente era um sistema que mantivesse a paz) que a origem de uma família condiciona, por exemplo, a forma do real receptada pelo membro mais jovem. Assim, um filho nascido em família escrava, tenderá a crer, pela realidade que se lhe apresenta, que a normalidade e a regra social o encerram nessa condição de privação de liberdade. Aí, porém, vemos que a vida deste jovem já é condicionada e abrogada por uma racionalidade inerente, abstraída a ele e fortalecida pela tradição e pelos costumes, mas, sobretudo, pela ausência de um sistema educacional que pudesse lhe propiciar o uso das próprias faculdades racionais. A parir desse ponto, torna-se claro que não somente os tradicionalíssimos apregoam a servidão voluntária, mas esta realidade é antes engendrada e concretizada por uma alienação material das condições de existência que, por seu turno, obstam o acesso a um desenvolvimento eficiente da razão crítica e culminam numa alienação da consciência, isto é, na abstração do Homem de seu pensamento e, por conseguinte, de sua liberdade.
Portanto, constituído esse processo, a liberdade figura-se a este indivíduo como algo exteriorizado e com existência independente de sua condição social. E nesse caso, o fato que lhe força a permanecer nesse estado de sujeição aparentemente natural – como um valor absoluto e dado - não consiste na voluntariedade da servir ou mesmo na obrigatoriedade deste dever, mas sim na não existência da liberdade como algo palpável e que pode ser alcançado.
Apesar de não compreender a análise feita por vocês, ao final do texto, sobre a liberdade ser determinante no estado de sujeição dos indivíduos, concordo com a maior parte do que foi abordado!
ResponderExcluirDe fato, não é possível haver liberdade consciente sem o esclarecimento que a educação produz. E, infelizmente, a parte da população que não tem acesso a esta educação acaba ficando presa a modelos já impostos, sem o poder de decisão sobre qualquer das estruturas já existentes na sociedade.
O homem aceita o mundo como ele se encontra por não perceber que nada daquilo produzido por seus semelhantes é natural. É a educação que dá a idéia de e permite a mudança.
Zeíla Lauletta (RA00093117)
O foco na questão da educação foi interessante. O esclarecimento e o desenvolvimento da capacidade racional dos indivíduos é de extrema importância para o questionamento e compreenção do mundo em que se vive. No entanto, não devemos deixar de considerar que a educação pode ser (e é) manipulada para formar pessoas que não tentem mudar ou questionar o sistema vigente, como vimos com Foucault. Deste modo, a educação não mais viabiliza a mudança, e sim forma indivíduos dóceis, imppossibilitados de contestar os poderes que atuam sobre eles. Não podemos deixar de criticar este papel formador na medida em que passa a legitimar e fortalecer o sistema. Durante a Terceira República Francesa, durante a qual escreveu Durkheim, a educação foi usada para que as crianças internalizassem as novas ideologias, burguesas. É notável que a instrução obedece à determinados interesses.
ResponderExcluirCarolina Nascimento Ferreira
RA00096965