quinta-feira, 26 de maio de 2011

Para Locke, e em geral para grande parte dos Iluministas, a concepção de liberdade se traduz no homem que não se submete a racionalidade ou a algum princípio instituído por outro e, para tanto, necessita desenvolver sua própria razão ao máximo, seguindo princípios morais universais, para então ser um indivíduo livre. Rousseau se aprofunda neste ponto ao afirmar que a razão individual de cada um deveria ser fomentada por um sistema educacional universal e eficiente e que, de certa forma, não enganasse ou desviasse o homem de seu objetivo final: A liberdade consciente.
Entretanto, como, na visão de La Boétie, o costume e a tradição são fatores que fundamentam a servidão voluntária, podemos concluir que uma das causas evidentes da voluntariedade da servidão é a sujeição em troca da proteção e de um sistema político que atenda ás vontades coletivas (no caso de hoje, mas antigamente era um sistema que mantivesse a paz) que a origem de uma família condiciona, por exemplo, a forma do real receptada pelo membro mais jovem. Assim, um filho nascido em família escrava, tenderá a crer, pela realidade que se lhe apresenta, que a normalidade e a regra social o encerram nessa condição de privação de liberdade. Aí, porém, vemos que a vida deste jovem já é condicionada e abrogada por uma racionalidade inerente, abstraída a ele e fortalecida pela tradição e pelos costumes, mas, sobretudo, pela ausência de um sistema educacional que pudesse lhe propiciar o uso das próprias faculdades racionais. A parir desse ponto, torna-se claro que não somente os tradicionalíssimos apregoam a servidão voluntária, mas esta realidade é antes engendrada e concretizada por uma alienação material das condições de existência que, por seu turno, obstam o acesso a um desenvolvimento eficiente da razão crítica e culminam numa alienação da consciência, isto é, na abstração do Homem de seu pensamento e, por conseguinte, de sua liberdade.
Portanto, constituído esse processo, a liberdade figura-se a este indivíduo como algo exteriorizado e com existência independente de sua condição social. E nesse caso, o fato que lhe força a permanecer nesse estado de sujeição aparentemente natural – como um valor absoluto e dado - não consiste na voluntariedade da servir ou mesmo na obrigatoriedade deste dever, mas sim na não existência da liberdade como algo palpável e que pode ser alcançado.



2 comentários:

  1. Apesar de não compreender a análise feita por vocês, ao final do texto, sobre a liberdade ser determinante no estado de sujeição dos indivíduos, concordo com a maior parte do que foi abordado!
    De fato, não é possível haver liberdade consciente sem o esclarecimento que a educação produz. E, infelizmente, a parte da população que não tem acesso a esta educação acaba ficando presa a modelos já impostos, sem o poder de decisão sobre qualquer das estruturas já existentes na sociedade.
    O homem aceita o mundo como ele se encontra por não perceber que nada daquilo produzido por seus semelhantes é natural. É a educação que dá a idéia de e permite a mudança.

    Zeíla Lauletta (RA00093117)

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  2. O foco na questão da educação foi interessante. O esclarecimento e o desenvolvimento da capacidade racional dos indivíduos é de extrema importância para o questionamento e compreenção do mundo em que se vive. No entanto, não devemos deixar de considerar que a educação pode ser (e é) manipulada para formar pessoas que não tentem mudar ou questionar o sistema vigente, como vimos com Foucault. Deste modo, a educação não mais viabiliza a mudança, e sim forma indivíduos dóceis, imppossibilitados de contestar os poderes que atuam sobre eles. Não podemos deixar de criticar este papel formador na medida em que passa a legitimar e fortalecer o sistema. Durante a Terceira República Francesa, durante a qual escreveu Durkheim, a educação foi usada para que as crianças internalizassem as novas ideologias, burguesas. É notável que a instrução obedece à determinados interesses.

    Carolina Nascimento Ferreira
    RA00096965

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